O ELOGIO DA LOUCURA – ERASMO DE ROTTERDAM

O Elogio da Loucura é um livro de Erasmo de Rotterdam, um humanista e teólogo que viveu durante a idade média, este livro é um ensaio escrito em 1509 e publicado em 1511. Erasmo nasceu em 1465 na cidade de Rotterdam, Holanda. Foi um intelectual que viveu em um convento onde se entregou aos vários clássicos da literatura greco-latina e ao mais diversos autores da Idade Média, sua época. Ordenado padre, teve contato com padres, bispos, papas, reis, cardeais, etc. Foi amigo de Thomas Morus, amigo a quem ele dedicou o prefácio de O Elogio da Loucura.

 

“Foi pelo fato de ter pensado, no início, em teu próprio sobrenome Morus, tão próximo ao da Loucura (Moria), quanto realmente longe dela estás e, certamente, é seu maior adversário, segundo o conceito que em geral dela se tem.” (carta a Thomas Morus)

Erasmo era cristão, porém com uma visão além de seu tempo para ver as falhas que existiam no fanatismo religioso e na opressão causada pela igreja católica, não esqueçam que ele era teólogo, e dos bons. Ele foi um dos responsáveis pelos pensamentos críticos da sociedade da época que foi base da Reforma Protestante. Agora vamos ao livro… Erasmo de Rotterdam não faz uma crítica apenas à religião fanática, mas também a muitos comportamentos e pensamentos da sociedade, não apena da sociedade da época, mas de um modo completamente atemporal, já que o maus costumes humanos não são perdidos.

 

Segundo o Aurélio, a loucura é definida como um estado ou condição de louco, de insanidade mental. Buscando na internet achei esta definição: “A loucura ou insânia é uma condição da mente humana caracterizada por pensamentos considerados “anormais” pela sociedade. É resultado de doença mental, quando não é classificada como a própria doença. A verdadeira constatação da insanidade mental de um indivíduo só pode ser feita por especialistas em psiquiatria clínica.”

O Elogio da Loucura é uma total sátira a sociedade dos séc. XV e XVI, onde ele tinha por objetivo fornecer uma nova visão eclesiástica e renovar a igreja, pois tentou mostrar a sociedade um espelho de si mesma. Seu escrito acabou tornando-se atemporal, pois se você ler O Elogio da Loucura hoje, ainda verá uma sociedade vivendo com os mesmos males e problemas de séculos atrás, a hipocrisia e a perda dos valores da vida ainda são constantes. A loucura, como a definição gramatical, é a insanidade mental, porém ele não define esse termo ao pé da letra, como uma condição humana que podemos adquirir, ele trata a loucura de uma forma externa ao homem, e o homem só será louco se desejar ser.

 

Em seu livro ele criou a “Deusa da Loucura”, um divindade que metaforicamente é responsável por todos esses maus comportamentos humanos, ela se auto elogia de ser a única forma de fazer o homem sentir-se bem perante seus atos que afrontariam e afrontam as demais divindades, como a luxuria, o fanatismo, etc. A Loucura é filha de Plutão, ela conta sua origens neste trecho:

“Nasci de Plutão(…). Meu pai foi um Plutão ainda robusto, cheio do calor da juventude, e não somente por sua juventude, mas também, sem dúvida, pelo néctar que acabara de sorver avidamente ao goles no banquete dos deuses” (VII – A Origem da Loucura).

A Deusa da Loucura dá ao homem tudo o que ele quer e pode fazer, ela afronta o outros deuses que disponibilizam apenas “alguns favores” a humanidade. Por exemplo, seguindo os preceitos cristão o homem deve ser bom e evitar ao máximo ser corrompido com os devaneios da vida, a loucura entra nesse ponto, ela é a desordem e protege o homem por ter cometido tais atos, a Loucura exerce um poder que não é tirânico nem ditador, a Loucura é a própria alegria…o próprio delírio onde o homem eternamente encontrará o seu conforto. Neste post vou deixar alguns trechos e alguns comentários das partes que mais me chamaram a atenção durante esta leitura. “Não ponho a máscara como aqueles que pretendem representar um papel de sábios e andam desfilando como macacos vestidos de púrpura e como asnos com peles de leão. Que se vistam com disfarces quando quiserem que suas orelhas sobressalientes sempre revelarão um Midas oculto.” (Capítulo V – A Sinceridade da Loucura)

 

O interessante da abordagem feita referente a Loucura é de que ela é a verdadeira Verdade, não há por que negar seus atos e sua verdadeira função perante à vida, os homens consideram a Loucura uma total insanidade para fugir de sua responsabilidades, é por este motivo que ela se auto elogia, pois o homem não a considera, por mais que esteja precisando dela durante cada segundo de sua vida. Este sentimento raiva da Loucura perante a atitude humana é mostrada neste trecho:

“Não posso deixar de registrar meu espanto pela ingratidão dos homens, ou por suas indiferenças. Todos há séculos gozam de minhas benesses, mas nunca houve um só homem que testemunhasse seu reconhecimento e elogiasse a Loucura.” (Cap. III – A Loucura se Auto- Elogia) .

Segundo a própria Loucura, ela é responsável pela perpetuação da espécie humana, pois as pessoas agem sem razão perante seus atos, que para nós são realizados com ávida consciência de que aquilo é o certo e melhor para si e para os outros. Esse foi um dos trechos mais satíricos que pude conferir no livro, interessante ver que ela trata a Irreflexão também como uma divindade e sendo sua serva:

“(…) Qual mulher haveria de procurar um homem, se refletisse melhor sobre os perigos inerentes ao fato de colocar um filho no mundo e criá-lo? Como vós deveis a vida ao casamento, deveis o casamento à minha serva, a Irreflexão.” (Cap. XI – A Loucura Perpetua a Espécie Humana). É muito comum fazermos uma relação entre velhice e sabedoria, mas por que fazemos isso? Desde que criança vemos os grandes sábios da história em uma imagem típica, onde estão debruçados em livros ou em pensamentos vagam pelo mundo, são idosos que cultivam cabelos e barbas brancas como nuvens. Ao tratar deste assunto todo teremos algum intelectual em mente que colaboraram para mudar os pensamentos da humanidade ao longo dos séculos, como: Platão, Aristóteles, Galileu, Darwin, Nietzsche, Arquimedes, Da Vinci, Michellangelo, a assembleia dos anciões da Grécia Antiga, etc. Além desta imagem de velhice associada a sabedoria, ainda nos vem em mente uma reclusão social e dificuldade de relacionamento em que intelectuais se encontram. Segundo a Loucura, esses homens não a veneram, vivem totalmente a parte de seus benefícios e é por este motivo que a Loucura os critica, mais adiante no livro ela ainda trata a respeito das fraquezas que poderiam existir em um governo tecnocrata. “Não observais por acaso, a pessoa melancólicas, mergulhadas na filosofia e nas dificuldades de suas ocupações, quase toda envelhecidas sem antes gozar de sua juventude.” (XIV – A Loucura Prolonga a Vida).

 

Que criatura no mundo pode ser mais louca que a mulheres? Eu mesma, que vos escrevo este texto sou uma, e a própria Loucura é mulher. Por que nos autodenominar loucas? Assim como já escrevi anteriormente: que mulher se entregaria ao matrimônio e a maternidade sem antes refletir sobre tudo, aguentar indiferenças constantes e as dores do parto, a infância e a juventude rebelde dos filhos ou a perda de sua liberdade? Não vou generalizar, pois nem todas as relações são deprimentes, mas nós, mulheres, bem sabemos tirar proveito de todas as bênçãos da Loucura. A mulher vive em um reino de fantasias, ludibriada coloca seus sonhos em um casamento… Um vestido branco… Um buquê… A utópica vida a dois… A mulher é fortemente ligada à simbologia da pureza. No fim, nós mulheres do séc. XXI, ainda muito nos comparamos com as tais Mulheres de Athena de Chico Buarque que “Vivem para os seus maridos”.“As mulheres poderiam se irritar comigo por lhes atribuir a Loucura, comigo que sou mulher também e a própria Loucura? Certamente que não. Observando bem, é esse dom da loucura que lhes permitem serem, sob muitos aspectos, mais felizes que os homens.” (XVII – A Loucura Torna as Mulheres Amáveis).

Segundo a Loucura “Para viver como homem é preciso abster-se de sabedoria”, e como exemplo ela cita Sócrates que foi condenado a beber cicuta, devido ter sido culpado de tanta sabedoria que afrontou os princípios de sua sociedade, perdeu-se em estudos e esqueceu o mundo ao seu redor. No capítulo XXIV a Loucura faz uma crítica há um governo tecnocrata, ela cita e critica a máxima de Platão:

“Felizes das repúblicas cujos filósofos fossem governantes ou cujos governantes fossem filósofos”.

A intolerância desta Deusa é devido ela ser deixada de fora durante um governo com tal princípio político, pois somente haveria espaço para racionalidades e filosofia, já que os filósofos são seus maiores inimigos. Veja o trecho de suas críticas: “…O pior governo sempre foi aquele de alguém versado em filosofia ou em literatura. A exemplo dos dois Catão, a meu ver, é inclusivo; um colocou praticamente a República de ponta cabeça por suas extravagantes denúncias. O outro ao defender com excessiva sabedoria e liberdade do povo romano, acabou por compromete-lo definitivamente.” (XXIV – A inferioridade da Sabedoria do governo).

 

Em um governo sábio não haverá espaço para a política de pão e circo, e se não há circo não há entretenimento, e se não há entretenimento… Não haverá Loucura. Mais uma vez a Loucura critica a Sabedoria, maldita figura intrometida em seus afazeres cotidianos, esta semideusa sempre buscando mostrar a realidade ao humanos e a eles propor sofrimentos e angústias.

A sabedoria mostra ao homem a realidade e frente a ela ele não mais consegue retornar ao seu ponto inicial, é como a caverna de Platão, ele muito busca desprender-se do meio comum, mas ao conhecer além, ele não sabe o que fazer, então o que lhe resta e vagar pelo mundo lamentando sua sorte que outrora foi seu maior desejo como o misantropo Timon do deserto. “Convidai um sábio a um banquete e vereis que se tornará um estraga prazeres por seu melancólico silêncio ou por suas importunas dissertações. Convidai a um baile e haverá de dançar como um camelo que corcoveia. Levai a um espetáculo e bastará seu aspecto para silenciar o povo que diverte, obrigando os organizadores a retirá-lo, como ocorreu com Catão que não conseguiu se desfazer de seu ar carrancudo” (XXV- A Inferioridade da Sabedoria na Vida do Homem).

Então não seria a Loucura o principal meio de alcançar a verdadeira sabedoria? Na verdade nós, humanos, não sabemos qual é a sabedoria que precisamos, se é aquela de intelectuais contida de manuscritos remotos até era da digitalização ou a sabedoria proveniente no conhecimento do mundo como um ser humano dotado de liberdade e curiosidade. Nossas obrigações nós impõem inevitavelmente a hesitação para toda e qualquer ação por medo de errar em algum ponto e é este medo que ao mostrar o perigo, nos impede da ação.

Somente a loucura pode nos privar de tal pensamento negativo, e, somente com ela poderemos alcançar a verdadeira felicidade e/ou a vida que buscamos, a partir de tentativas impulsivas conhecemos a realidade do mundo ao redor. O louco é guiado pelas paixões e o sábio pelas razões, as paixões nos ferem, mas são elas que nos movem para inúmeros aprendizados, nossa paixão refletida no amor, na família, na profissão, etc. Basta analisar que se somente seguirmos a razão mais em frente veremos que nossa vida foi baseada em um ideal falso, apenas para fazer parte do todo.

“De tanto perseguir os animais selvagens e de alimentar-se de suas carnes, os caçadores acabam se assemelhando a eles. Não obstante, acreditam levar uma vida de reis.” (XXXIX – Várias Forma de Loucura) “O sábio se refugia nos livros antigos e nele só aprende frias abstrações. O louco, ao enfrentar a realidade e os perigos, adquire a meu ver, o bom senso.” (XXIX – A Verdadeira sabedoria é a Loucura).

Como já disse na primeira parte deste texto, Erasmo foi conhecido pela grande crítica que fez ao clero e a burguesia, por mais que ele fosse um teólogo amplamente respeitado e desejado pelo Vaticano. Quem ler este livro sem antes ler sobre Erasmo, provavelmente vai achar que foi escrito por um rebelde agnóstico ou ateu, pois suas críticas à religião são espontâneas e claras perante a realidade da época, que com o passar do tempo tornou-se atemporal.

Na minha opinião as abordagens que analisam o fanatismo religioso são sem dúvida os mais interessantes devido ao satírico que ele emprega em sua escrita. Veja este trecho onde ele critica a rezas e as indulgencias: “O que dizer daquele que alimenta de fórmulas mágicas e de orações inventadas por um piedoso impostor, vaidoso ou ávido, por meio das quais se promete riquezas, honras, prazeres, abundância, saúde sempre sólida, viçosa velhice e, para encerrar, uma cadeira no paraíso, junto ao lado de Cristo! (…) Quem é mais feliz do que aqueles que recitam todos os dias os sete versículos dos Salmos pensando desse modo alcançar a felicidade dos eleitos? Ora, esses versículos mágicos teriam sidos revelados por um demônio, por brincadeira a São Bernardo.” (XL – Os Supersticiosos).

fonte: http://lounge.obviousmag.org/itinerario_interno/2013/07/o-elogio-da-loucura—erasmo-de-rotterdam.html

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VENCENDO AS AFLIÇÕES

Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo”.

João 16:33

 

Cristo nos convida a vencer o mundo como Ele venceu. Vencer o mundo é vencer um sistema totalmente corrompido pelo pecado, como o próprio Cristo disse “satanás é príncipe desse mundo”.

Vivemos em um mundo totalmente entregue ao pecado, nossa luta é espiritual, somos constantemente tentados pelo pecado e foi isso que Cristo venceu, se existe algo que nos aflige é o pecado, pois sabemos que o pecado nos afasta de Deus.

Por meio de sua palavra encontramos meios de nos manter firme e constante, pois sua palavra é alimento e traz conforto, peça a Cristo que o capacite a viver uma vida vitoriosa de acordo com os principio que Ele mesmo tem nos ensinado, pois só por meio D’ele e por Ele é que seremos vencedor nesse mundo, pois foi através do seu sacrifício na cruz que fomos liberto de todo pecado, “o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e por suas pisaduras fomos sarados”.

Deus o abençoe, que você em nome de Jesus vença o mundo como Cristo venceu.

Você Sabe o Que é Apoteose?

apoteose

substantivo feminino

1 1.
hist entre os antigos, cerimônia de divinização, esp. dos imperadores romanos.

2 2.
p.ext. inclusão de alguém entre os deuses, em função de suas qualidades, atributos; deificação.”a a. de Aquiles”

A apoteose consiste em elevar alguém ao estatuto de divindade, ou seja, endeusar ou deificar uma pessoa devido a alguma circunstância excepcional. No mundo antigo esta circunstância era geralmente considerada para os heróis.

Por extensão, utiliza-se o termo apoteose quando se atribui exageradamente a alguém honrarias ou qualidades. No teatro, a apoteose corresponde ao ponto final de uma cena que decorre de maneira espetacular.

O termo apoteose remete para o tema da divindade e tem duas acepções principais: uma ligada à civilização romana ou civilizações anteriores, e outra que constituiu o seu prolongamento para o domínio da história da arte.

Para as religiões de mistérios da antiguidade, apoteose constituía o momento ritualístico da união com divino (Uno), ou mesmo, “tornar-se deus”.

Fonte: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Apoteose

Feliz 2018, Deus é o mesmo.

Desde os tempos antigos ninguém ouviu, nenhum ouvido percebeu, e olho nenhum viu outro Deus, além de ti, que trabalha para aqueles que nele esperam.
Isaías 64:4 PTNVI

Deus (YAHWE), sua fama nos tempos antigos era tremenda, todos os povos sabiam do seu poder, de como tinha libertado seu povo do Egito, dos milagres do êxodo.

Esse é o nosso Deus que ainda faz milagres e maravilhas através de Jesus Cristo, o impressionante é que esquecemos de quem é Deus e seu imenso poder.

Pode passar o tempo que for, Deus continua sendo no mesmo, Ele não muda, não falha. O que acontece é que esquecemos quem é Deus, perdemos a fé e a esperança muitas vezes, mais Ele continua se mostrando um Deus de amor que se importa com os seu povo e sempre se mostra sua graça e tem se revelado a nos com sua graça multiforme.

Voltemos a confiar e esperar em Deus, para desfrutar de seu grande poder, traga a memória seus grandes feitos, pois ele é o mesmo, lembre de seus feitos através dos tempos só ele pode mudar qualquer realidade.

Que nesse ano de 2018 que se inicia, você possa lembrar de um Deus que continua trabalhando para os que Nele espera.

Feliz 2018.

O que é Teofania?

teofania
1. substantivo feminino real aparição ou revelação da divindade; manifestação de Deus.

1.O termo Teofania, vem do grego theophnaia, que por sua vez é uma palavra composta por dois vocábulos, também gregos: Théos, “Deus” e phanei, “aparecer”.
Isto é, Teofania é o termo teológico utilizado para descrever alguma manifestação visível de Deus, na forma que Ele quiser. Alguns eruditos, definem Teofania como uma manifestação de Deus aparecendo, seja em forma humana, seja através de fenômenos da natureza gran­diosos e impressionantes.
Em sua essência, Teofania é um termo teológico que serve para indicar qualquer manifestação temporária e normalmente visível de Deus. Por conseguinte, é preciso se distinguir de forma enfática que há uma grande diferença entre a Teofania (que é uma manifestação temporária) e a Encarnação (que é uma manifestação permanente), uma vez que muitas das Teofanias do AT eram manifestações de Jesus pré-encarnado.
A importância primordial desse estudo das Teofanias, é podermos demonstrar que através de revelações temporárias de Deus temos a revelação da possibilidade de uma revelação permanente dEle. Deus, ao revelar-Se temporariamente através de Teofanias, demonstrava por esse fato, que na plenitude da dispensação dos tempos (Gl 4:4), Ele se tornaria “carne”, (Jo 1:14) isto é, Se encarnaria – desta vez permanentemente – em Jesus Cristo.

2. Ocorrências de Teofanias
Quase todos os casos de Teofania são encontrados nos tempos do AT, embora haja registros delas também no NT.
No relato do livro de Gênesis, encontramos a mais abundante fonte de Teofanias da Bíblia. Isto se deve, principalmente, a dois fatores:
1) o livro de Gênesis é o livro bíblico que cobre o maior espaço de tempo;
2) ainda não havia uma revelação escrita para a humanidade, o que veio a acontecer somente durante o últi¬mo estágio da vida de Moisés.
Também nos relatos decisivos do livro de Êxodo, encontramos casos de Teofanias, bem como no livro de Juízes, tornando-se mais raras no restante do AT.
Em relação às Teofanias no NT, a título de exemplo, podemos citar a voz celeste e a pomba que apareceram por ocasião do Batismo de Jesus (Mt 3:16,17), a voz ouvida durante o episódio da Transfiguração (Mt 17:5), bem como no episódio da semana da paixão (Jo 12:28), a visível inauguração do ministério do Espírito Santo (At 2:2,3), como também as visões de Estêvão (At 7:55,56) e de Paulo (At 9:3ss).

3. Formas de Teofania
A Bíblia nunca enfatiza a maneira da manifestação divina, sob a forma de Teofania. O que é enfatizado nos relatos bíblicos de Teofania, é aquilo que Deus fez e falou. Em quase todos os casos de Teofania, o seu objetivo é sempre dar uma mensagem, ao passo que a forma externa apenas serve para chamar a atenção. Um exemplo claro disto, é episódio da sarça ardente (Êx 3:2-6) e na entrega da Lei, com todas as manifes¬tações físicas que lhe acompanharam (Êx 19:18,19; 20:18). A Bíblia enfatiza que o que é físico é apenas secundário, sendo que Dt 4:12 demonstra isto, enfatizando que “… além da voz, não vistes semelhança nenhuma”.

4. O Anjo do Senhor
Outro ensino veterotestamentário de grande importância, que por sua vez está estritamente relacionado com as Teofanias são as aparições do Anjo do Senhor. Optamos por estudar, separa¬damente, este assunto, em virtude de sua importância crucial, uma vez que as aparições do Anjo do Senhor se constituem em Teofanias, mas especificamente Teofanias onde as aparições de Deus se davam em forma humana.
A expressão “Anjo do Senhor” ou sua variante “Anjo de Deus”, se encontram mais de cinqüenta vezes no AT. Portanto, é necessário algumas considerações acerca desse personagem, que se reveste de grande importância quando tratamos da possibilidade da Encarnação.
A primeira aparição bíblica do “Anjo do Senhor” foi no episódio de Agar, no deserto (Gn 16:7). Outros acontecimentos incluíram pessoas como Abraão (Gn 22:11,15), Jacó (Gn 31:11-13), Moisés (Êx 3:2), todos os israelitas durante o Êxodo (Êx 14:19) e posteriormente em Boquim (Jz 2:1,4), Balaão (Nm 22:22-36), Gideão (Jz 6:11), Davi (1Cr 21:16), entre outros.
A Bíblia nos informa que o Anjo do Senhor realizou várias tarefas semelhantes às dos anjos, em geral. Às vezes, Suas aparições eram simplesmente para trazer mensagens do Senhor Deus, como, por exemplo, em Gn 22:15-18; 31:11-13. Em outras aparições, Ele fora enviado para suprir necessidades (1Rs 19:5-7) ou para proteger o povo de Deus de perigos (Êx 14:19; Dn 6:22).
Com relação à identidade do Anjo do Senhor, os eruditos não são e nunca foram unânimes. Entretanto, não há porque duvidar da antiqüíssima interpretação cristã de que, nesses casos acima citados, encontramos manifestações preencarnadas da Segunda Pessoa da Trindade.
Desejamos, portanto, apresentar a seguir três argumentos bíblicos que comprovam, indubitavelmente, que o Anjo do Se¬nhor é Jesus Cristo antes de encarnado.

1) Josué 5:14 – Quando o Anjo do Senhor apareceu a Josué, diz a Palavra do Senhor que ele “… se prostrou sobre o seu rosto na terra, e O adorou, e disse-lhE: Que diz meu Senhor ao seu servo?”. Se o Anjo do Senhor não fosse o próprio Senhor (ou melhor, o Senhor Jesus como Segunda Pessoa da Trindade), o anjo (caso fosse simplesmente “um anjo”) teria proibido a Josué de adorá-lo, como ocorreu em Ap 19:10 e Ap 22:8,9.

2) Jz 13:18 – Embora concordemos com o fato de que existem controvérsias a respeito desta passagem, reputamos a mesma como factual e elucidativa. Quando Manoá, pergunta ao Anjo do Senhor, o Seu Nome, Ele responde: “… porque perguntas assim pelo meu nome, visto que é maravilhoso?” Uma comparação desta resposta com a passagem de Is 9:6, demonstra que o Anjo do Senhor que apareceu a Manoá é o Menino que nos fora dado de Isaías. Isto é, o Anjo do Senhor, cujo Nome é Maravilhoso (hwhy YHWH), é o próprio Senhor, e ao mesmo tempo o Menino que nos fora dado.

3) A terceira prova escriturística que queremos apresentar, é que no contexto neotestamentário, a Bíblia deixa de utilizar-se do termo “o Anjo do Senhor” como pessoa específica. Isto é demonstrado pelo fato de que o artigo definido masculino singular “o” deixa de ser utilizado, sendo substituído pelo artigo indefinido “um”. Alguns exemplos disto são os textos de Lc 1:11; At 12:7 e At 12:23, dentre muitos outros. Infelizmente, nem todos as ocorrências de Anjo do Senhor no NT, na versão ARC, se encontram com o artigo indefinido “um”, o que ocorre na versão ARA nos textos citados e em outros correlatos. Esta substituição possui um grande significado. Isto é, no contexto do NT, contemporâneo ou posterior à Encarnação, as manifestações angelicais não eram do Anjo do Senhor, mas meramente de um de Seus anjos, pois o “Anjo do Senhor” já havia sido manifestado na carne (1Tm 3:16).

Fonte: https://www.universidadedabiblia.com.br

Um pensamento sobre os 500 anos da reforma protestante

“E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. ”Romanos 12:2

Em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero pregou na porta da igreja do castelo de Wittemberg suas 95 teses, com a intenção de mostra um verdadeiro evangelho onde Cristo é único e suficiente salvador; pois sua intenção não era causar uma revolução do evangelho ou até mesmo iniciar uma reforma na igreja, sua intenção era simplesmente mostra as verdades das escrituras bíblicas que é a palavra de Deus.

Inicia-se então o que conhecemos como reforma protestante. Lutero começa a pregar uma mensagem onde a Salvação e alcançada mediante a graça de cristo através da fé, isso causa muito espanto pois era isso que era ensinado por muitos padres e bispo e toda o clero, que só através das obras, pagamentos de indulgências e compra de relíquias se alcançaria a salvação, isso era muito comum e os fies acreditavam fielmente nesse ensinamento já que não tinha acesso a bíblia, pois só o clero da igreja podia e tinha acesso as escrituras bíblicas.

O versículo que lemos (romanos 12:2) fala que não devemos nos conformar com esse mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente. É esse inconformismo que toma conta de Lutero, uma mente transformada por Cristo, alcançada por sua busca constante pela verdade da palavra de Deus, gera em Lutero esse inconformismo, ao ponto de começar a ensinar tudo aquilo que o Espírito Santo o revela através da sua palavra.

Ao que dizer nos dias de hoje, onde ainda se prega um evangelho que não é o de Cristo, um evangelho do engano mais um engano conformado pois hoje temos acesso a bíblia de forma simples e até mesmo de graça, pois é possível ter uma bíblia em qualquer celular. Muito conhecem a verdade mais preferem dar ouvidos as falsas doutrinas, pois o que lhe é proposto é barato e confortante, afinal, é o que a carne deseja, e não existe nada melhor do que alimentarmos nossa carne, não é verdade?

O que me fascina nesse texto bíblico é a sua clareza, onde diz que só uma mente transformada por Cristo, experimenta a vontade do Cristo e não se conforma com as coisas desse mundo.

Não se conformar, é fazer o que Lutero fez, pregou a verdade da palavra sem se importar até mesmo com sua vida, não se conformar é pregar a verdade e não sair opinando nas redes sócias ou entre os amigos, sendo politicamente correto, na verdade isso é se conformar com o mundo.

Que possamos viver de forma que agrade a Cristo, pois isso é o que importa, pois o próprio Cristo viveu pra agradar o Pai, isso é experimentar a boa e prefeita vontade de Deus, uma vida com propósito, o propósito de Deus. Vivemos na contra mão desse mundo, uma metanoia, temos a mente de Jesus, isso é loucura para quem não conhece, “pois o que é nascido da carne, é carne; mais o que é nascido do Espírito, é Espírito”, proteste com base nas escrituras, não se renda ao sistema desse mundo, busque ao senhor em todo tempo, isso te fortalecerá, deixe sua mente ser renovada pelo Santo Espírito, como se diz “tudo começa no pensamento” então tenha a mente de Cristo.

Uma mente renovada por Cristo, não se conforma com as coisas desse mundo.

EDUARDO PORTO DE SOUZA

Biografia de João Calvino

João Calvino (1509-1564) foi um teólogo, líder religioso e escritor francês. Foi o pai do Calvinismo, reforma protestante que impôs hábitos austeros e puritanos aos seus seguidores, que atingiu a maior parte dos países da Europa Ocidental.

João Calvino (1509-1564) nasceu em Noyon, na região da Picardia, no Norte da França, no dia 10 de julho de 1509. Ficou órfão de mãe aos seis anos de idade, sendo confiado aos cuidados de um aristocrata amigo da família. Ainda adolescente foi enviado para a Universidade de Paris para estudar Teologia. Em Paris, tomou contato com as ideias de Martinho Lutero.

Em 1529, em obediência ao pai, trocou Paris por Orléans, e a Teologia pelo Direito. Depois de formado voltou à Paris e à Teologia. Começou uma fase de intensa colaboração com o reitor da Universidade de Paris, Nicolas Cop. Ao inserir trechos inteiros de Lutero em um discuro de reitor, foi acusado de herege. Em 1536, após redigir em latim, “Instituições da Religião Cristã”, onde reuniu as bases para o conjunto das doutrinas do Calvinismo, foi perseguido e teve que abandonar a capital francesa.

Persuadido por Guilherme Farel, francês que implantou a reforma de Zwinglio, um iniciador das revoltas contra a venda de indulgências por parte dos emissários do Papa Leão X, em Genebra, resolve permanecer na cidade. Em 1538, depois de ter frustradas suas tentativas de instaurar um governo teocrático, e de escrever “Artigos Sobre o Governo Local” e “Confissões de Fé”, é expulso de Genebra.

Em Estrasburgo, no Leste da França, começa a elaboração de uma constituição religiosa baseada nas “Instituições” e participa do congresso sobre religião como representante da cidade. Em setembro de 1547, retorna à Genebra a pedido das autoridades, para impedir a tentativa do cardeal de restaurar o catolicismo. Realiza na íntegra o governo civil, que tornou supérflua a hierarquia eclesiástica. Estabeleceu leis, abriu escolas e estimulou o comércio exterior, prega e ensina o calvinismo.

Genebra passa a ser o principal centro protestante da Europa. A consistência da moral foi implantada. Aos domingos ninguém podia ir ao teatro, nem jogar cartas, muito menos dançar. Até mesmo o trabalho nesse dia seria considerado crime. Nos quatro primeiros anos do rígido governo calvinista, contaram-se 58 execuções, e muitas penas severas foram aplicadas aos transgressores das leis.

João Calvino estabeleceu diversas reformas na Igreja, eliminou o ritual e a música instrumental da missa, despiu as igrejas de vitrais, quadros e imagens, reduziu o culto a um sermão entre quatro paredes nuas. Aboliu as comemorações da Páscoa e do Natal, e apagou todos os vestígios do sistema episcopal.

O Calvinismo, ao contrário do luteranismo, difundiu-se na Europa Ocidental. Na França, foi professado pelos huguenotes, na Escócia, pelos presbiterianos, na Inglaterra, pelos puritanos e na Holanda, pelos protestantes.

João Calvino faleceu em Genebra, na Suíça, no dia 27 de maio de 1564.

 

FONTE: https://www.ebiografia.com/joao_calvino